
João nasceu de uma família pobre.
Não conseguiu terminar o ensino secundário.
Iniciou cedo a trabalhar como carpinteiro.
Apaixonou-se por Stefany Benoliel, uma engenheira recém formada na melhor universidade do país. Pouco tempo depois casaram-se e um ano mais tarde tiveram um filho.
Stefany era muito cobiçada pelos outros amigos ricos que ela tinha. A mãe dela, a juíza Mary Benoliel, nunca gostou do João e várias vezes tinha dito que não sabia onde é que a filha estava com a cabeça, para casar com um pé rapado, sem eira nem beira, como o João. O coitado, engolia tudo isto sem ninguém para o ajudar.

Certo dia, numa discussão de casal, Stefany atirou na cara do João que, ele era mal sucedido na vida, que quem sustentava a casa era ela e que agora, dava razão a mãe. E que também deveria ter seguido o conselho da sua amiga de trabalho, a Gorety Vera-Cruz, quando ela disse que deveria ter arranjado alguém da sua classe. E ainda gritou:-"Aqui quem manda sou eu." João mais uma vez, triste, pegou no seu filho e foi para o seu quarto, chorar em silêncio.
Stefany não perdeu tempo. No dia seguinte, bem cedo, ela levantou, fez a mala e saiu. João levantou e foi correndo na rua atrás dela, gritando em lágrimas, que por favor, não o abandonasse. Porque sem ela, a sua vida ficava sem sentido. De joelhos no chão e ainda em lágrimas viu a Stefany entrar no seu carro e partir. Ele de rastos, entrou para casa e encontrou um bilhete que a Stefany tinha-o deixado, que dizia assim:- "João, o nosso caso chegou ao fim. Não podia ficar mais contigo, porque tenho outros planos e que tu, como um carpinteiro, não podias dar. Cuida do nosso filho."

João não aguentou e mais uma vez, abraçou o seu filho e juntos choraram. João agora, era um homem abandonado, e com uma criança para criar sozinho. Ele agora, era pai e mãe ao mesmo tempo. O sofrimento do João era grande.
Os vizinhos com pena, lá foram ajudando com a comida. Embora de vez em quando, aparecia uma mulher gritando da janela:-"É bem feito. Para aprenderes que, com as mulheres não se brinca". Mas ele não ligava.
João estava a ter problemas no trabalho, porque muitas vezes, pedia para sair mais cedo para cuidar do bebé. A sua chefe não queria entender a situação.
Ele era discriminado no trabalho, unicamente, por ser homem.
Quando aparecia uma oportunidade de subir na carreira não davam uma oportunidade para ele, porque a chefe sempre dizia: - "Agora é o tempo das mulheres".
Ele era assediado pela sua chefe todos os dias mas ele negava.
A chefe até propôs aumentar o salário se ele ficasse com ela. Caso contrário era despedido.
E várias vezes, dizia-lhe em alta voz:-"Aqui os homens não mandam."
Até que um dia, ele não aguentou mais e disse basta. E foi despedido.
A chefe fingiu ter sido atacada pelo João, chamou a polícia e vieram duas polícias da proteção da mulher e não quiseram nem ouvi-lo e levaram-no preso, arrastado pelo chão. E uma delas disse-lhe:- "Não é preciso nem dizer nada. Vocês homens, querem só maltratar-nos. Vais pagar bem caro por isso. Não tens safa. Vamos fazer de tudo, para que encontres aquela juíza que tem raiva de homens".
Desempregado, com um filho para criar, a situação ficou mais complicada.
No tribunal, dito e feito, encontrou a juíza Pancrécia, que tratou do caso com rigor e castigou-lhe severamente com 3 anos de prisão efetiva, ordenou que doassem o filho ao Instituto de menores e ainda no fim, ela acrescentou: "Comigo é assim. Agora é a vez das mulheres".
João ainda gritou:- "Sra. Juíza, por favor, eu sou pai, sou mãe. Suplico-lhe, tenha piedade de mim. Mas a juíza foi implacável.
Colocaram-no numa prisão, onde a diretora era uma mulher e que mandou que ele fosse cuidado com braço de ferro. De vez em quando, ele era espancado dentro da prisão e ia queixar na diretora e ela dizia: -"Pareces uma mulher, só a fazer queixinhas. Aqui não meu amigo, os homens sentem o que é a mão forte da mulher. Agora é a vez das mulheres." E ria.

Ele chamou a representante dos direitos humanos e quem veio foi uma mulher, que também não fez caso do seu problema. Mais uma vez, ele foi discriminado, unicamente por ser homem. Preso e julgado injustamente, João viu para o céu e deu um grito de angústia:- "Que culpa tenho eu de ter nascido homem neste mundo, meu Deus?" Caiu de joelhos e chorou amargamente.
Cumprido exatamente 3 anos, João saiu da prisão. Primeira coisa que fez foi visitar o seu filho no Instituto de menores. Deu-lhe um beijo e um abraço demorado.
João decidiu que iria procurar um novo emprego. Várias vezes, nas entrevistas de emprego, sempre esbarrava com a frase: -"Desculpe. Temos uma vaga sim, mas estamos a procura de uma mulher". Ele viu que não iria ser fácil contornar esta situação de discriminação.
João não conseguiu honrar os seus compromissos com o banco e perdeu a casa. Sem dinheiro, sem trabalho, sem casa e com um filho para criar, tudo estava a complicar.
João fugiu num barco grego e foi parar na Singapura. Lá trabalhou arduamente e conseguiu enriquecer.
Anos mais tarde, o magnata João voltou para a sua terra. Comprou a empresa onde anteriormente trabalhava, e deixou todos os trabalhadores lá e chamou a gerente que antes o tinha despedido e perguntou-lhe:-"O que achas, quem eu devo colocar a tomar conta da minha empresa? E a senhora disse:- "Eu acho que..." e o João a interrompeu logo, dizendo: - "Eu acho...eu acho que a senhora deveria era ter vergonha de discriminar as pessoas. Vai já é para a rua. Vou colocar aqui alguém que seja capaz, independentemente se é homem ou mulher".
João arranjou um amigo que lhe servisse de intermediário, para contactar a empresa de construção onde a sua antiga esposa, a Stefany, trabalhava, para construír a sua mansão na zona mais cara da cidade, sem que ninguém soubesse que era dele. E que fosse construida pela engenheira Stefany. E assim foi.
Enquanto construiam a mansão, João meteu uma petição para tomar o filho. Entrou com queixas-crime contra todas que lhe tinham discriminado.
No dia da inauguração da mansão, João mandou convite para todas as pessoas importantes da cidade, inclusive a Stefany e a sua família, a sua antiga chefe, a juíza, a diretora da prisão e a representante dos Direitos Humanos.
A festa da inauguração estava excelente e todos estavam ansiosos para conhecer o dono da casa. O mestre de cerimónia pediu palmas e que todos ficassem de pé porque, agora iria entrar o magnata, o dono da mansão, João Lopes. Todos ficaram de boca aberta. Houve um silêncio ensurdecedor na sala. João, com a sua calma, pediu aos convidados que o seguissem lá fora, para o descerramento da placa. Lá fora, João segurou uma corda de um lado e o seu filho segurava a outra corda, no outro lado. Puxaram o pano, e na placa dizia: - "Nunca discrimine niguém, por causa do seu género, raça, cor, religião ou "status" social."
Podem imaginar, a cara que os outros ficaram.
Por muitos dias, João era o tema de conversa na cidade.
João mais tarde casou com uma outra mulher, que o ajudou a criar o seu filho. Ele levou o resto da sua vida cuidando dos seus familiares, amigos e de quem passava por problemas idênticos ao dele.

(FIM)
(César Fortes 05/05/2020)
Moral da história:
Não faça aos outros aquilo que não gostarias que fizessem a ti.
Ouça a música que se segue. Clica no link:https://youtu.be/umjq7zD0Jj0