quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Kévin, o piratinha.

Kévin levantou bem cedo, lavou a cara numa tina de esmalte que era da sua avó. A água estava fria e ele ficou logo desperto. Bebeu uma caneca de café bem quente, vestiu a sua calça esfarrapada, colocou a camisola nos ombros e saiu da Ribeirinha, em direção à morada para "lançar uma rede" nas ruas da cidade. Na gíria dos piratinhas, isto significa procurar uma oportunidade de roubar alguém. -"Hoje, morada cá tá c'nada. Tcham bem tchi pá cais." Pensou Kévin.
Kévin chegou no cais, viu logo um homem com cara de emigrante, descendo de um táxi e disse: -"Vida já bem melhorame." Esfregando as mãos, uma na outra, foi logo metendo conversa com o sr. José Gumercindo, homem na casa dos seus 60 anos, marinheiro na Holanda há muitos anos. Kévin viu quando o sr. José tirou um envelope cheio de dinheiro, e com uma nota de 200$00 pagou o táxi. Ele pensou logo em tira-lo o envelope antes dele entrar no barco. -"Posso ajuda-lo com as bagagens senhor?" O sr. José, disse logo que sim, com muita simpatia. Kévin estava sempre com os olhos fitos no envelope, que estava no bolso de trás da calça do sr. José. Kévin pediu autorização ao porteiro para deixa-lo passar, para levar as bagagens até ao barco, para ajudar o sr José. Kévin, na sua cabeça, pensou logo numa estratégia de arrebatar o envelope e fugir, mas estava difícil. O sr José ficou contente pela ajuda, agradeceu o "prestativo" rapaz dando-lhe 100$00. Mas Kévin, queria mais. Abraçou o sr. José, e com as mãos lá atrás, tentava retirá-lo o envelope do bolso. Como o evelope estava cheio, não foi possivel retira-lo. O emigrante nem deu conta disso. Ele foi se despedindo e andando em direção ao barco "Mar Novol". - "Caramba. Não posso perder esta oportunidade. Tenho que tira-lo o envelope antes que o barco saia. Pensava Kévin, afrontado. -"Posso ajuda-lo a colocar as bagagens dentro do barco?" Perguntou Kévin ao sr.José. Ele aceitou de imediato. Kévin pegou nas bagagens, pediu autorização à Livramento, a moça que estava a tomar os bilhetes na escada do barco. Chegando dentro do barco, se despediram, e mais uma vez, as mãos do Kévin tentaram chegar ao envelope mas, sem sucesso. -"Tenho que tira-lo o envelope antes do barco sair do cais de São Vicente." Este era o desejo do Kévin. O sr. José, ainda inocente, convidou o Kévin para tomar um sumo, no bar do barco, como forma de agradecimento, por toda a "ajuda" prestada.
Enquanto bebia o sumo, tentava com a mão direita, alcançar o bolso de trás, da calça do sr. José. De repente, ele ouviu o apito do barco, indicando a partida. Correu para tentar saltar do barco mas, já era tarde, o barco já se tinha afastado do cais. Kévin ficou chateado com a situação, porque não conseguiu arrebatar o envelope de dinheiro do sr. José e tinha partido numa viagem contra a sua vontade. Mas a mente de Kévin começou logo a trabalhar num novo plano. -"Vou ter que conseguir o envelope até chegarmos no Porto Novo. Custe o que custar." Pensava ele, com os seus botões. Recompôs-se e foi ter com o sr. José. -" Manera tio. Bocê tá kerditá que barco já largá pa Porto Novo e mim jam fcá li dentro?! Um azar dum cá sabê czê! - Bom, agora vamos afugentar as mágoas no bar. Quando chegarmos no Porto Novo eu pago um bilhete de volta, para ti. Podes ficar à vontade. Meu rapaz, quem está comigo, está com Deus." O coitado, ainda, sem dar por nada, tratava o piratinha com toda a amabilidade característico de um bom santantonense.
Durante toda a viagem, era Kévin tentando fazer o roubo e o sr. José, contando as aventuras do seu trabalho duro, como marinheiro, na Europa. Quando o barco atracou em Porto Novo, Kévin tentou rapidamente puxar o envelope, de modo a poder voltar logo no mesmo barco para São Vicente, mas não foi possível.
Os passageiros começaram a sair do barco e Kévin ofereceu logo para ajudar o homem a carregar as bagagens até um carro "hiace". Kévin já tinha o seu plano feito. Quando o homem fosse entrar no "hiace", ele puxaria o envelope e fugiria. Ele bem que tentou mas, mais uma vez, o envelope não quis sair. Numa derradeira tentativa, o Kévin meteu a cabeça dentro do hiace e disse: - "Sr. José, ondé que bocê ta bai?" - Vou para o Paúl, meu rapaz. Porquê? - É que tenho uma tia no Paúl e que eu gostaria muito ir visita-la. - Entra meu rapaz. Eu pago a tua viagem. E assim aconteceu. Kévin entrou no hiace, sentou-se ao lado do sr. José. Foram numa conversa fiada dentro do hiace. Até pareciam amigos de infância. De vez em quando, lá ia a mão do Kévin, em direção ao bolso do sr. José, apalpando o envelope. - Tenho que retira-lo este envelope antes de sairmos do hiace. Pensava Kévin. Depois de muito andar, o hiace parou e o condutor falou: - Senhores passageiros, já chegamos em Paúl.
O sr. José saiu do carro. E com a mão, lá foi acenando a despedir-se. Ele começou a colocar as bagagens nos chão e Kévin lá foi ajudar, na sua última tentativa. E numa das vezes que o sr. José abaixou-se para colocar uma bolsa no chão, Kévin conseguiu dar o golpe final. Com dois silenciosos dedos, ele conseguiu puxar o envelope cheio de notas de 2.000$00.
Ele escondeu o evelope,rapidamente, dentro da sua camisola. Abraçou o sr. José com tanta alegria, despedindo-se. Ainda na sua inocência, sem dar por nada, o sr. José disse-lhe: - Como; não vais visitar a tua tia aqui no Paúl? - Não senhor. Acabei de me lembrar, que tenho um assunto importante para tratar no Porto Novo. Kévin entrou no hiace, sentou-no lugar da frente, mesmo ao lado do condutor, apertou o cinto e com um ar de "James Bond" disse ao condutor: - Quanto é que recebes até ao Porto Novo? - Desculpa-me, mas já não vou mais para o Porto Novo, hoje. - Acho que não estás a perceber. Estou a fretar-te para levar-me até ao Porto Novo, porque eu vou ter que apanhar o barco ainda hoje, para voltar à ilha de São Vicente. E o condutor, sem hesitar, fez a curva, buzinou de alegria e foi acelerado em direção ao Porto Novo. No caminho, Kévin foi contando as notas e verificou que o envelope tinha 100 contos limpinhos. Ele fez um lindo sorriso, colocou o braço fora, e foi pensando: - Estou ricoooooo! Kévin conseguiu apanhar ainda, o mesmo barco que ele tinha ido para Santo Antão. Quando o barco atracou na ilha de São Vicente, Kévin foi o primeiro a descer as escadas, acenando e cantando para toda gente: - "Soncente jam tchegá, sabura jam bem passá..." Ele desceu do barco como se fosse um emigrante. Saiu do cais em direção à barraca da Ilda. No caminho, foi convidando todos os outros piratinhas que ele conhecia, para irem jantar com ele. Ele pagaria o jantar para todos. E enquanto comiam, ia contando as suas peripécias. No fim do jantar, ele deu 1.000$00 para cada um. No dia seguinte, ele foi à casa de todas as pessoas com dificuldades, que ele conhecia, para oferecer 1.000$00. Pensando, certamente, que o dinheiro não iria acabar. A noite, ele convidou a sua namorada para jantar no "Clube Náutico do Mindelo". Jantaram uma boa lagosta suada. Foi uma noite bem passada. E na saída do restaurante, a polícia judiciária já estava à espera do Kévin. Prenderam-no e retiraram-no o resto do dinheiro que ele ainda tinha no envelope. O povo viu toda a cena.
Ele foi esperneando-se e com as algemas apertadas, ele disse: - Sr. agente, por favor, bocê só dzem quem é que "estrilhame"? - Foi um outro piratinha que pagaste um jantar ontem. - Judas do caraças pá! Já não há código de honra, nem entre os piratinhas? Miserável pá. Miserável. E durante a viagem para a esquadra da polícia, Kévin foi pensando consigo mesmo: - Podem até levar-me preso, mas fui rico por um dia. Mas óh dinheiro amaldiçoado! Foi difícil de conseguir e foi fácil de ser gasto e por fim, fácil fui preso. Caramba pá. Vida de piratinha é uma chatice.
(César Fortes- 07/09/2020)

Viagem ao Vale do Mocho, na ilha de Santo Antão.

Cumprido todas as exigências requeridas pela delegacia de saúde para as viagens interilhas, embarcamos no "Chiquinho". Um barco novo, bonito e com todo o conforto necessário. Entramos e sentamos, cumprindo o distanciamento. Eu na primeira cadeira, a minha irmã, Vanda, no meio e a minha filha Emma na outra extremidade.
"CHIQUINHO" saiu mesmo às 7 horas, como programado. Girando a proa para o Monte Cara, o capitão iniciou a viagem que demoraria cerca de 1 hora. Nos altifalantes, embalamos ao som da música dos Calema "Agora é a nossa Vez". Penso que sim, agora é a nossa vez de desfrutarmos de umas lindas férias em Santo Antão. O mar está calmo, que até parece uma piscina.
Do nosso lado direito, vários navios estão ancorados na baia do Porto Grande. Entre eles, vejo um barco com a bandeira do Panamá que, por momentos, fez-me lembrar as lindas histórias que o meu primo Aníbal contava-me, das travessias no canal de Panamá, quando ele era marinheiro de alto mar. De repente, já estávamos ao lado do Ilhéu dos Pássaros, o "Djéu". Lembrei-me logo das histórias de nhá Bia, que quando criança, o pai dela era faroleiro e tiveram que ir morar no ilhéu, por causa do seu trabalho. Ela contou-nos que, como filha única, morou isolada no ilhéu. Apenas ela, a mãe e o pai. Sem nenhuma outra criança para brincar. Todos os dias, ela levantava, olhava para o mar que chocava contra o ilhéu com tanta força, que até dava medo. De imediato, ela entrava em casa, para não cair no mar. Foram longos, seis anos no farol. Ela ficou tão traumatizada com o mar que, no dia que ela saiu do ilhéu, num bote, com destino à ilha de São Vicente, ela jurou que nunca mais iria viajar de barco. Nunca mais foi para Santo Antão, simplesmente para não ter que passar perto do "Djéu" e relembrar do passado medonho. E hoje, ela só viaja de avião.
De volta à nossa viagem, as montanhas de Santo Antão já estão mais próximas. Isto quer dizer que já estamos a aproximar do cais da cidade do Porto Novo. Ouvi dizer, que choveu na ilha mas, parece que Porto Novo, não foi abençoado pelas chuvas, pois, as rochas continuam secas. O marinheiro lançou o retinida (cabo com uma bola na ponta) e o homem no cais atou as amarras. O barco atracou. Desceram a rampa e os passageiros começaram a sair, numa grande azáfama, para poderem, rapidamente, apanhar um "hiace" para cedo poderem chegar às suas localidades. Nós entramos no hiace de Tony "Cabe Esperança" e com um som no máximo, ouvíamos Dénis Graça cantando "Amor a primeira vista". Começamos a viagem de carro na nova estrada, em direcção à Janela. Passamos no primeiro túnel e de seguida, vemos a nossa frente, o farol Fontes Pereira de Melo (Farol de Boi) que fica na zona de Janela. Janela é uma localidade muito bonita. O hiace parou e uma família inteira entrou no carro. Não sei como, mas todos coubemos dentro do hiace. Os condutores fazem milagres. Continuamos a viagem, passamos a Praia de Gi e ao lado da estrada, deparamos com uma estátua, bem cuidada, em memória do papa, João Paulo II. Chegámos ao Vale do Paul, um celeiro verdejante, cheio de água e de fartura de comida. Atravessamos a cidade das Pombas, lugar de gente bonita e casas lindas. Já em Povoação de Ribeira Grande, o condutor teve que fazer uma pausa para as pessoas descansarem e fazerem algumas compras, nas lojas, perto de Ponta de Lavada. Hora de entrar no hiace e continuar a viagem, em direcção ao vale do Mocho. O motor do carro roncava tanto que, em poucos minutos, chegámos nas montanhas de Garça, onde encontramos um dos vales mais bonitos de Santo Antão. Minutos depois passávamos pela linda vila de Chã de Igreja, lugar de gente simpática e de uma imponente igreja. Terra dos meus avós. Passar alí e não parar, deu-me um nó na garganta. Um nó de saudade.
Passamos o cemitério, e começamos a descer para a ribeira. A estrada tem uma curva, sem protecção, que fica literalmente, num precipício. De um lado, lá no fundo, vemos o mar a bater na rocha, com muito estrondo e ficamos com muito medo. Do outro lado, colocamos os olhos para o céu, para pedir apoio à Deus e vemos o cemitério literalmente, em cima de nós. Uma visão que nos enche de credos na boca. Atravessámos a ribeira e a vila de Cruzinha ficou-nos mesmo a frente, com a sua linda baia, seu peixe fresco e um sol abrasador. Prosseguimos a nossa viagem que, nos levaria à localidade de Mocho, agora, numa estrada de areia, esculpida nas rochas, pela ação do mar. Uma estrada maltratante, com muitos pedregulhos, que desmotiva qualquer um, a fazer uma segunda visita. Uma estrada em condições péssimas, lá onde Judas danificou as suas botas. Já é uma necessidade urgente, uma estrada digna, para esta localidade.
Depois de muito balançar dentro do carro, parecendo um andar fusco e de termos ultrapassado a tortuosa e empoeirenta estrada, eis que entramos no lindo vale do Mocho. Montanhas altivas, muitas plantações, mulheres fortes, homens de coragem, trabalhadores na agricultura, gente que gosta de tratar bem os visitantes. Um vale com dois furos de captação, onde a água não falta. Mandioca, batata doce, cana, tomate, cenoura, banana, manga e vários outros produtos são produzidos neste lindo vale, esquecido por muitos. Um vale que te faz esquecer o tempo e relaxar completamente.
Chegou a noite e o cheiro de um guisado de carne de porco era forte. De seguida, a voz da tia Joaninha ecoava na ribeira, nos convidando para o Jantar. Um caldo, nunca falta na mesa de um mochense, com muito orgulho.
O som dos grilos, dos sapos e das cagarras que elegeram as rochas do vale como a sua moradia, fez-nos logo embalar, numa boa e revigorante noite de sono. No dia seguinte, levantamos cedinho, comemos muitas mangas e papaias. Os irmãos Pedro e João, convidaram-nos para comer uma cachupa guisada com omoletes de ovos de terra e fruta-pão frito. Um manjar dos deuses.
A tarde, passamos na casa da Andreza para comermos uns filhoses e beber um chá de belgata. De repente, a chuva amiga começou a cair suavemente e tivemos que voltar para a casa. E da janela, ficamos a observar, a tão esperada e linda dádiva de Deus, a chuva, beijando as plantas e deslizando na ribeira. O verdejante vale do Mocho é mesmo um paraíso escondido na ilha de Santo Antão, que vale a pena ser visitado.
(César Fortes - 31/08/2020)

O NOSSO AMIGO NELSA D'IA.

Quando éramos crianças, em Ribeira Bote, brincávamos muito o "Hands up" ou mãos ao ar. Certo dia, com um sol a prometer ser escaldante, iniciamos a nossa brincadeira entre polícias e ladrões. Saímos em direção à ilha de madeira, a correr uns atrás dos outros. As casas de lata, enfileiradas, davam muita ajuda para podermos ver a rua toda, de uma ponta à outra, facilitando assim, uma visão geral do nosso campo de batalha e dos nossos "inimigos". Dividimos os grupos. Nelson, Didi, John de nha Terezinha, Renato e outros ficaram num grupo e eu, Sílvio, Jair, Ligim, Dicha e outros, ficamos noutro grupo. O gupo do Nelson, foi esconder-se no meio das casas de tambor e enquanto nós, ficamos combinando uma estratégia. E de repente o Sílvio disse: -"Devemos tentar apanhar primeiro, os mais "moles". Certamente, já pensando no Nelsa d'ia. Cada um de nós, saiu em direção à uma rua. Começamos a correr atrás dos nossos "inimigos" com gritos de guerra. E quando víamos um, gritávamos: - "Hands up". Entre os mais moles estava o Nelsa d'ia, sem dúvida. Ele era o mais corpulento e logo, o mais fácil de encontrar. Corremos atrás dele e logo nos primeiros minutos da nosssa brincadeira, gritámos:-"Hands up. Estás preso, Nelson". E ele suplicou-nos: -"Por favor "menis", bsot panhame mut cedo". Soltem-me para eu poder brincar mais um pouco. Va-lá". É claro que nós não cedemos.
E ele, grande, como era, tivemos que ajuntarmo-nos nele, como formigas numa barata. Depois de o termos amarrado, levamo-lo para a rua 10 para exibi-lo. Amarramo-lo de costas num poste de eletricidade, mesmo em frente da casa de nha Maria de Lurdes. Atamos as mãos e os pés dele. Depois de o termos bem amarrado, fomos para a ilha de madeira continuar a corrida atrás dos outros. Passados algumas horas, tínhamos que terminar com a brincadeira, porque era hora de ir para a escola. Cada um foi para a sua casa, para arranjar-se. Depois de almoçar e já no caminho para a escola, deparámos com o Nelson d'ia, ainda amarrado ao poste, já com a cara decaida e queimada pelo sol. Tínhamos esquecido dele amarrado ao poste. Ele também tinha que ir para a escola e estava muito atrasado e sem almoçar. Ele viu-nos e gritou-nos:-"Ó meninos, por favor, libertem-me". E neste exato momento, apareceu o tio dele, vindo do trabalho que gritou: -"Nélson, o que estás a fazer amarrado à este poste? Para a casa, já!" Ele não nos deu nem tempo de o libertar das cordas. Ele tirou o cinto, deu ao Nelson umas boas latadas a frente de todos nós. Nelson não gritou. Só víamos as lágrimas rolarem cara abaixo. Sofriámos por dentro porque tudo aquilo, foi culpa nossa.
Esquecemos de desamarrar o nosso amigo, o primeiro preso. O tio, colocou-lhe a andar a frentre, enquanto ele, ia atrás com o cinto, batendo-o nas costas. Era uma cena dura de assistir. Lá fomos nós para a escola e o Nelson para casa. Depois que saímos da escola, nós, os amigos do Nelsa d'ia, fomos visita-lo para ver como ele estava. Nas pernas, ainda podíamos ver as marcas do cinto mas, Nelson estava alegre como sempre. E Sílvio perguntou-lhe:-" Então "Patapouf", como estás?" Este era o nome como nós, os amigos, o chamávamos. Estávamos com medo da reação dele, pois, afinal, nós éramos os culpados da situação. Ele viu para nós e disse: -"Seus "estapores". E depois ele soltou umas gargalhadas e abraçou-nos, batendo amigavelmente nas nossas cabeças. Ele tinha feito as pazes connosco. Nelson estava vestido somente um "trusse", umas cuecas brancas de algodão, pois, ainda estava de castigo, imposto pelo tio, assim não saia de casa. Tínhamos que ir lá, todos os dias, brincar com ele. Nelson, apesar de grandão em relação à nós, ele tinha um bom coração. Era sim, muito azarado, pois, todas as coisas erradas aconteciam sempre com ele. Ele era a criança mais alegre e o melhor a fazer saltos acrobáticos, entre nós. "Patapouf" é um grande companheiro. (César Fortes - 02/08/2020)

Vencedor do concurso Literário nos Estados Unidos "Mórmon Lit Blitz"

🥇🥇🥇🏆🏆🏆🏆🥇🥇🥇 Caros amigos, sirvo desta para vos informar que venci o Concurso de literatura "Mormon Lit Blitz" (Nos Estados Unidos da América). Gostaria de agradecer à todos que votaram no meu conto. O teu voto foi muito importante. Assim foi a classificação: https://lit.mormonartist.net/.../2020-mormon-lit-blitz.../ "Audience Choice Award The four audience favorite finalists this year were: 4th place: “Perfection is a Fullness” by Jeanine Bee 3rd place: “Part Heaven” by Madison Beckstrand 2nd place: “In the Locker Room at the Temple” by Darlene Young and for 1st place, an essay from Cape Verde: “O Nosso Cão Stromberg” (“Our Dog Stromberg“) by César Augusto Medina Fortes

TERRORISMO DE OPINIÃO TÓXICA.

Sou criança e um dia adulto serei. Que tipo de adulto serei, quando ouço na rádio do nosso país, tantos programas de opinião pública que deixam as mesmas pessoas participarem, com a mesma opinião corrosiva, todos os dias, de manhã à noite, lançando caboverdianos contra caboverdianos? Isto é terrorismo comunicacional. Sou criança e um dia adulto serei. Que tipo de adulto serei, quando vejo no facebook, pessoas a incentivarem a revolta, o assassinato de políticos; o bairrismo entre São Vicente e Santiago? Isto é terrorismo de opinião tóxica. Sou criança e um dia adulto serei. Que tipo de adulto serei, quando leio nos "jornais(pasquins)" tanta "fake news", com o único propósito de tomar o poder? Esse não é jornalismo. É terrorismo no jornalismo. Sou criança e um dia adulto serei. Que tipo de adulto serei, quando vejo, todos dias, pessoas que criticam só por criticar, apontam o dedo para o Sol, para Lá e nunca para Si? Nunca estão dispostos à ajudar para mudar o rumo das coisas. Que tipo de gente é esta? Esses são terroristas de opinião tóxica. Sou criança e um dia adulto serei. Que tipo de adulto serei, quando vejo líderes políticos a corromper o povo e o povo a corromper os líderes políticos? Isto é corrupção. Terrorismo social. Sou criança e um dia adulto serei. Que tipo de adulto serei, quando vejo a educação, a saúde e a segurança, a custarem os olhos da cara? Isto é terrorismo contra os pobres. Sou criança e um dia adulto serei. Que tipo de adulto serei, quando vejo alunos sujando as escola, pichando os transportes públicos e desrespeitando os mais velhos? Isto é terrorismo contra o nosso património. Sou criança e um dia adulto serei. Que tipo de adulto serei, quando vejo uma taxa de desemprego elevada mas, mesmo assim, vejo pessoas negando ofertas de emprego? Isto é terrorismo da preguiça. Vamos parar de fomentar o ódio e o racismo; a pobreza; a preguiça; a dependência e a corrupção. Vamos promover a educação; o emprego; a saúde; o respeito e o amor pelo próximo. Se fizessem um inquérito credível, iriam ver que a maioria das pessoas de São Vicente não é contra Santiago e nem a maioria das pessoas de Santiago são contra as pessoas de São Vicente. Nós amamos uns aos outros. Vivamos em união para que eu, como Criança de hoje, possa ser, um bom Adulto amanhã . Se os "Bons" não levantarem a voz para defenderem o Bem, a voz dos "Maus" continuará a prevalecer e a criar estragos na nossa sociedade. #Vamos lutar juntos para o "Bem" na nossa sociedade#
(César Fortes - 08/06/2020)