sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
A VIAGEM DA NOSSA FAMÍLIA
Sou grato ...
Pela viagem da minha vida,
Sou grato por Deus ter-me criado espiritualmente e de eu ter a oportunidade de embarcar no navio da vida. Pelos meus pais, Maria e Elías, terem-me dado a oportunidade de vir á terra, pertencer á uma família pobre de matéria, mas rico de amor.
O mar desta nossa família, nem sempre foi calmo. Tivemos algumas tormentas, mas a capitã Maria, sempre conseguiu levar o barco ⛵ á um bom porto.
Quando vim á terra e entrei neste barco "Família", a capitã Maria, já tinha vários marinheiros: António, Alcindo, Autelindo, Joselito,Zenaida e Vanda.
Os dois mais velhos tiveram que cedo emigrar para a Europa, onde a vida era promissora.
O barco da nossa família ficou sem combustível, várias vezes, mas sempre a Maria estava lá, para resolver.
Várias vezes, no sufoco do alto mar, António e Alcindo mandavam algum recurso da Europa, que nos ia safando das tormentas da vida. Sou muito grato por esses dois grandes irmãos que não nos deixaram afundar.
Nós os mais novos, fomos crescendo, ao sabor do mar, dia bom, dia mau. As vezes era canja de atum e outras vezes, era arroz com cavala. Mas muitas vezes, foi mesmo o "bife de caneca"que não nos deixou afundar nas profundezas do nosso mar.
Fomos estudando, para que no futuro, pudéssemos fugir das tormentas da vida.
Os anos foram passando e o barco parecia ficar pequeno para todos. E o marinheiro Autelindo, teve que abandonar o barco e com o vento de Sotavento,partiu para Praia á procura de uma vida melhor.
Chegando na Praia, começou a trabalhar e lá foi enviando algum apoio para que pudéssemos nos sustentar dentro do barco. Foi ele que enviou a primeira mochila que eu e a Vanda levamos para o liceu.
Sou muito grato pelo marinheiro Autelindo pela ajuda que ele deu, no meu crescimento como marinheiro da vida.
As nossas tias e os primos mais próximos, lá iam ajudando com as fardas e as botas, para que pudéssemos estar, sempre bem trajados a bordo. Sou muito grato por eles.
O marinheiro Joselito foi-nos ensinando e talhando a nossa vida, de modo a preparar-nos para a vida pós Maria.
Passou pouco tempo, e ele apanhou o seu bote e zarpou, mas sempre por perto.
Sou grato por tudo o que o meu irmão Joselito, nos ensinou durante o nosso crescimento.
Anos mais tarde, chegou a vez da marinheira Zenaida ter que abandonar o nosso barco e zarpar, sozinha, para Portugal, a procura de mais e melhores recursos.
Sou grato pela minha irmã Zenaida, por tudo o que ela fez na minha vida, como irmã protetora.
A medida que os anos iam passando, o barco foi navegando, com menos marinheiros.
Eu e a Vanda fomos ficando e aprendendo, um com o outro, até quando ela arranjou o seu bote e zarpou.
Sou grato por tudo o que aprendi com ela, como irmã, sempre presente.
O tempo passou, meu pai faleceu e a minha mãe, a capitã Maria, tomou conta do barco, sozinha. Depois de ter cumprido a sua missão aqui na terra, que foi de nos criar e fazer-nos homens e mulheres, cansada e já com uma idade avançada, levou o barco "Família" ao seu último porto e foi descansar eternamente.
Sou eternamente grato aos meus pais, Maria e Elías, por tudo o que fizeram por nós, nesta vida e que nos marcará para a eternidade, onde certamente, nós voltaremos a nos encontrar.
Sou grato pela viagem, pelo dom da vida.
#sergrato
(César Fortes 23/11/2020)
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