sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

O FAMOSO CAFÉ DE JOÃO AFONSO.

Nós continuamos a nossa visita em João Afonso. Desta vez vamos falar do café de João Afonso, que em tempos tinha muita fama e era comercializado em quase todas as ilhas do país. Quisemos saber de onde veio a fama deste café. Subimos até “Chã de Ledri” e encontramos o Sr. Djensa que nos contou a história do café de João Afonso, que em tempos, era mais famoso e em maior quantidade do que o café de Paul. Encontramos ainda, na mesma zona, um ancião, de 89 anos de idade, conhecido por “Ti Faia”, sentado a soleira da sua porta, juntamente com a sua esposa, Sra. Dedé.
Ele contou-nos como o café de João Afonso, tinha muita fama, antigamente. Ainda podemos encontrar vários pés de café plantados há mais de 100 anos, numa grande propriedade da família Cohen e Gama. Mais tarde, fomos ter com o Sr. Severino Lima, que completou-nos a história do café de Fajã dos Bois, dizendo que, antigamente, o Sr. Adrião Gama, descendente de portugueses, era o proprietário da terra do café e que mais tarde, Benjamin Cohen, descendente de judeus, casado com uma filha do Sr. Adrião Gama, viria a tomar conta das plantações de café. Fomos visitar a zona de Ladri, o local onde secavam o café. Também lá, pode-se encontrar ainda, as paredes em ruínas, da casa de nhô Benjamin Cohen.
Há mais de 79 anos, havia uma máquina para desfarelar o café, que arrancava à manivela. A máquina era temperada com chaves, tinha quatro pés, um caldeirão e um funil para ser ensaiado. Tinha café a vontade na zona. Eram precisos quatro homens para trabalhar na máquina. Antigamente, quando se chegava na zona de Fred, tinha sempre muitas plantações de laranjeiras e cafeeiros. Era tanto café que levavam dois meses fazendo a colheita.
Para trabalhar na colheita, nas plantações do Sr. Benjamim Cohen, vinha gente até do vale da Garça. O café era transportado em sacos, e levado por burros para a Vila de Ponta do Sol e através de botes, era transportado para São Vicente, e de lá era exportado para Lisboa.
Quem teve a oportunidade de experimentar o café de João Afonso, diz que tem um sabor e uma característica diferente dos demais. O sol se pôs atrás das rochas. A noite caiu sobre João Afonso. Voltamos para a casa da Sra. Conha. Era hora de um pequeno lanche antes do Jantar. O cheiro intenso do café estava no ar. Era impossível não senti-lo. Enquanto a família bebia o seu famoso café, eu bebia o meu chá de Lúcia Lima que é o meu chá predilecto e que também é um ex-líbris da zona. João Afonso é sem dúvidas, um recanto de muitas preciosidades.

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